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Como erros na fase de plantio geram perdas de produtividade

 

Por Giancarlo Rocco*


Falhas de população, singulação, espaçamento e emergência impactam na produtividade do agricultor

Das operações agrícolas, o plantio destaca-se como o momento mais importante para qualquer cultura. Por ser a última etapa para definição do potencial produtivo, erros na operação podem ser carregados durante todo o processo sem a possibilidade de correções.

É comum, inclusive, que produtores sejam obrigados a exterminar a área já plantada para iniciar um novo plantio, o que gera prejuízo devido aos custos de insumos, como sementes e operação de máquinas. Por isso, observar a qualidade de plantio ainda durante a operação é fundamental para uma rápida identificação, quantificação e correção do erro.

Quatro indicadores devem ser considerados em termos de eficiência na plantabilidade: população, singulação (falhas e duplas), espaçamento e emergência. As deficiências nos três primeiros itens levam a perdas do potencial produtivo, pois geram competição entre as plantas por luz, água e nutrientes, afetando o porte e a produtividade de cada uma.

Populações maiores que a recomendada reduzem o porte de todas as plantas de uma forma geral e, consequentemente, seu potencial produtivo e podem causar estiolamento e acamamento, a depender da cultura. Já populações menores levam a perdas por falta de compensação. Embora as plantas tenham menos competição e se desenvolvam mais, a maior produtividade alcançada por cada uma não compensa a ausência de plantas na população de uma forma geral.

Erros de singulação são causados por falhas no dosador de sementes das plantadeiras. Isso ocorre quando um alvéolo do disco de sementes da plantadeira fica com duas sementes, causando duplas, ou sem nenhuma, causando falhas. Os erros de espaçamento são gerados por ricochetes no tubo condutor das máquinas. Estes ricochetes acontecem principalmente em tubos de má qualidade ou justamente na inserção do sensor de sementes no tubo, que faz com que as plantas fiquem mais próximas, levando a significativas perdas por competição.

Por fim, existem os erros de emergência, que ocorrem quando as plantas emergem tardiamente e acumulam essa defasagem ao longo de toda a vida. Em plantações de milho, por exemplo, atrasos de emergência que causam um estádio vegetativo de defasagem levam a perdas no potencial produtivo da espiga na ordem de 50%. Se a planta estiver dois estádios fenológicos atrás das demais, a perda é de 80%. Plantas com três ou mais estádios vegetativos atrasados causam perdas de 100%.

Já na cultura da soja, o atraso da emergência causa perdas significativas pela redução no porte da planta (na ordem de 10% a 15% para cada dois dias de atraso). O maior problema no atraso da emergência na soja, porém, é durante a colheita, pois plantas no ponto de colheita convivem com plantas verdes, reduzindo a velocidade da colheitadeira e até mesmo causando embuchamento da colheitadeira.

*Giancarlo Rocco é gerente de Marketing da Precision Planting no Brasil

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