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Entrevista com Jak Torretta Junior – Diretor Geral de Operações da Mahindra Brasil

Jak Torretta Junior Diretor Geral de Operações da Mahindra Brasil

“O trator Mahindra é robusto e simples, mas com um acabamento e uma qualidade diferenciados”

A Mahindra é para muitos uma empresa ainda desconhecida, mas é o maior fabricante mundial de tratores. No Brasil produz dois modelos na fábrica instalada em Dois Irmãos, no Rio Grande do Sul. Seu objetivo é crescer em termos de potência, com tratores simples, principalmente no que se refere à manutenção.

 

Qual a situação atual da Mahindra no Brasil?

A Mahindra era distribuída no Brasil pela Bramont, empresa do grupo Gildemeister do Chile. Eles atuavam aqui no país no ramo de tratores e automóveis, e as operações não estavam agradando a Mahindra em termos de performance. As operações de automóveis se encerraram, e então desde outubro do ano passado a Mahindra como fábrica assumiu as operações da Bramont, e estamos atualmente revolucionando a fábrica que fica instalada em Dois Irmãos, no Rio Grande do Sul, onde estamos produzindo dois modelos de tratores.

O grupo indiano Mahindra, para muitos aqui no Brasil, é desconhecido. No entanto, o país asiático vende muitos tratores anualmente, especialmente os fabricados na própria Índia. Qual a fatia de mercado que a Mahindra possui?

A Mahindra é hoje o maior fabricante mundial de tratores, totalizando 250 mil tratores/ano. Deste montante, quase 50% fica na própria Índia, que é um mercado muito grande. O restante é exportado para diversos países. Nos Estados Unidos, ela é a terceira marca em tratores de até 120cv, ficando apenas atrás da Kubota e John Deere, e crescendo rapidamente, comercializando aproximadamente 24 mil tratores por ano. Esse crescimento e essa boa performance está sendo transferida para o Brasil, já que nossa unidade reporta para a Mahindra dos Estados Unidos.

 

Você, como brasileiro, sabe o quanto é difícil fabricar no Brasil e precisar chegar a uma porcentagem de nacionalização para se obter o FINAME. Como está chegando a esta quantidade tendo em conta que os seus motores vêm de fora?

Realmente no Brasil temos essa necessidade de obter 60% ou 65% de conteúdo local para obter o FINAME. Mas temos conseguido fazer isso de uma forma muito boa. Já temos dois modelos registrados no programa. Apesar de termos o motor e boa parte de transmissão importada, desenvolvemos aqui no Brasil todo o sistema hidráulico, a parte de pneus, pesos, lataria, rodas, assento, tendo então produzido um conteúdo nacional muito importante, que fez com que o trator fosse aprovado para o FINAME, para o Mais Alimentos e todos os programas governamentais.

 

Na coletiva de imprensa foram dadas algumas explicações sobre a Mahindra e o que ela significa. Com que gama de produtos vocês trabalham aqui no Brasil?

Além dos dois produtos produzidos na nossa fábrica no Rio Grande do Sul, foram trazidos para a Agrishow mais dois modelos, o trator importado da India 4530, 42cv, com uma receptividade muito boa principalmente no sul de Minas; e também o Max 26, um trator subcompacto que veio do Japão através de nossa empresa Mitsubishi, da qual a Mahindra é proprietária. A Mahindra adquiriu, em janeiro deste ano, a Mitsubishi Farm Equipament, e também em janeiro, a Mahindra & Mahindra comprou 75% da Hisarlar, empresa sediada na Turquia, líder no mercado de equipamentos agrícolas, e reconhecida pela fabricação das melhores cabines para máquinas agrícolas. Comprou ainda 35% das ações da Sampo Rosenlew, fabricante de colheitadeiras finlandesa, entrando assim neste mercado. Esta empresa produz colheitadeiras para John Deere e Massey Ferguson. Hoje, o mais famoso estúdio de design no mundo, a empresa de design italiana Pininfarina, conhecida por fazer projetos para marcas como Ferrari, Maserati e Rolls-Royce, já vem fazendo um trabalho muito importante inicialmente para os automóveis, trabalho este que, em breve, vai passar também para os tratores.

A imagem que temos de tratores de alguns países da Ásia são grotescos, rústicos, com terminações ruins. Mas não vejo a Mahindra assim. Como você definiria o produto Mahindra? 

As fabricas na Índia são organizadas e com processo produtivo muito bom. O trator Mahindra é robusto e simples, mas com um acabamento e uma qualidade diferenciados. Então, acredito que é uma forma de entrar no Brasil, já que a maioria dos fabricantes estão indo para projetos europeus, que às vezes não se adequam tanto ao nosso mercado. A realidade do Brasil é muito semelhante à Índia, nossos agricultores precisam de um trator versátil e robusto. O índice de garantia de outros fabricantes brasileiros é de, em média, 1,5% a 2% nesta faixa de potência. Na Mahindra é 0,4%, ou seja, é um trator que não quebra, extremamente confiável. Sendo assim, junto ao pequeno agricultor, que não pode ter gastos acima de suas possibilidades com a manutenção do trator, temos muita possibilidade de crescer. Oferecemos de garantia para os produtos 5 anos, sendo destes 2 anos de garantia integral do trator e mais 3 anos para trem de força, ou seja, toda a parte de motor e transmissão.

 

Onde está concentrada a sua rede de distribuição?

Nossa rede se concentra principalmente na região sul, ou seja, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, e algumas regiões do Paraná. Estamos desenvolvendo bastante o sul de Minas Gerais e o Triângulo Mineiro com dois concessionários muito fortes naquela região. Nosso projeto agora é ir para o estado de São Paulo.

 

Nos projetos a curto prazo, o que farão para incorporar modelos distintos. Serão importados da Índia ou serão nacionalizados? Como está evoluindo sua rede de distribuição? 

Normalmente recebemos um kit de transmissão e motor (powertrain) e completamos os tratores com componentes nacionais, segundo o padrão de engenharia da Índia, mas incorporando soluções que precisamos para o agricultor brasileiro. A série que estamos apresentando, o 8000S e o 9500S, incorpora uma série de melhorias que foi solicitada pelo agricultor brasileiro. No Brasil, temos um plano de produtos alinhado com a Índia. A primeira necessidade que veio foi de um trator cafeeiro, principalmente na região de Minas Gerais, e estamos trabalhando nisso. Hoje, temos 16 pontos de venda, projetando 20 até o final do ano, buscando crescer em torno de 10 a cada ano.

 

É muito importante a pós-venda para a Mahindra?

Apesar de termos um produto que dá pouco problema, é fundamental que o agricultor esteja amparado por assistência técnica e peças de reposição. Nossa preocupação é atendimento rápido e com concessionários treinados para fazer este atendimento.

 

Tratores sofisticados estão resolvendo alguns problemas e criando outros. A Mahindra vai continuar nesta mesma orientação de manter tratores simples mecanicamente falando, ou vai entrar nesta onda de produzir produtos mais complexos eletronicamente?

Nosso objetivo é crescer em termos de potência, mas ainda com tratores simples, principalmente no que se refere à manutenção. O que for incorporado de eletrônica vai ser feito principalmente devido às novas normativas de controle de emissões. A partir de janeiro de 2019, tratores abaixo de 100cv tem que ser Tier 3. Na medida do possível, vamos tentar continuar a produzir modelos Tier 3 com injeção mecânica, mas em alguns modelos vamos ter que partir para injeção eletrônica, aí não tem jeito.

Temos dois problemas principais: a máquina fica mais cara e o Tier 3 é o pior nível de tecnologia, acredito que o Brasil deveria partir logo para o Tier 4. Outra questão é que nossos agricultores carecem muito de informação. Eles precisam de orientação no sentido de gerenciar seu negócio. Mesmo sendo pequeno ele precisa saber vender e controlar seu custo de produção. Nesse sentido falta muito apoio ainda na agricultura familiar. Milhões de agricultores dependem dessa atividade e precisam saber controlar seus gastos.

 

Além dos programas governamentais, a Mahindra possui algum outro aporte financeiro?

Nós, além de programas governamentais, temos o banco de fábrica Mahindra Finance, parceria com o DLL. É uma parceria mundial, presente aqui e forte já nos Estados Unidos, com linhas de financiamento para tratores com taxas bem interessantes para o pequeno produtor.

 

Quais suas perspectivas de crescimento para este ano?

Tudo indica que no mercado brasileiro teremos um ano melhor que ano passado, principalmente se tudo correr bem no cenário político e econômico. Poderemos chegar em até mais do que os 20% que estão sendo previstos para 2017.

 

Pensando em Agrishow, você que vem de um mundo de máquinas e que tem muita experiência nesta área, qual a sua percepção desta participação na feira deste ano? Qual a importância dela para a Mahindra?

Como nossa rede está crescendo, essa participação é importante para apresentarmos nossos produtos, concessionários, e para nos relacionarmos com clientes. É um marco fundamental para nosso desenvolvimento futuro no estado de São Paulo. Nesta primeira participação focamos em mostrar o que é a Mahindra, uma marca não tão conhecida no país, mas que é o maior fabricante mundial, com uma estrutura enorme. A primeira coisa que destacamos é a Mahindra como grupo, e também conversamos com os agricultores, conhecemos suas experiências, e atuamos com experimentação e demonstração de produtos.

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