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Agriworld entrevista Francesco Pallaro – Presidente da Italocam

Francesco Pallaro – Presidente da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio e Indústria do Paraná (Italocam)

“O setor do agronegócio já está se recuperando”

 

Entrevista realizada por Julian Mendieta em abril de 2017 com Francesco Pallaro – Presidente da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio e Indústria do Paraná (Italocam)

 

Francesco Pallaro é uma referência no agronegócio, não apenas na América Latina, mas também na Europa. Uma pessoa com uma grande experiência e com uma importante trajetória. Todo o seu conhecimento está agora focado na direção da Câmara de Comércio Ítalo Brasileira, no estado do Paraná, onde orienta e fomenta a instalação de empresas no país. Durante a Agrishow, diversas empresas italianas contam com um pavilhão próprio, e são pessoas como Pallaro que possibilitam o incremento de sua participação. Apesar dos labirintos burocráticos do Brasil, muitas destas empresas pensam  em aumentar sua atividade e presença neste país.

 

Julian A presença da Itália no tecido empresarial brasileiro é muito importante. Em quais setores está mais presente e em ordem de importância?

 

Pallaro –  A presença das empresas italianas no Brasil é muito importante. Se considerarmos o número de empresas estabelecidas no território brasileiro, a Itália fica em segundo lugar depois dos Estados Unidos.

Durante os últimos anos, tivemos um incremento muito importante das médias e pequenas empresas que se somaram às multinacionais já presentes há muito tempo. Os setores com presença italiana são os clássicos, como alimentos, construção, energia óleo e gás, e mais recentemente também na inovação e no meio ambiente.

Contudo, se falarmos em importância econômica, o setor automotivo é ainda a primeira presença italiana.

 

JulianSua experiência é ampla no mundo industrial em nível global, agora, como representante da Câmara de Comércio Ítalo Brasileira no Paraná, como você pode aproveitar este posto para orientar a seus associados?

 

Pallaro – A minha trajetória profissional foi toda no setor das máquinas de construção, agrícola e agrobusiness. Na câmara tenho que lidar com os setores mais variados, desde o alimentar ao design, da educação ao energético. É uma grande aprendizagem para mim.

Contudo a minha experiência no Brasil é o que na realidade mais aproveito para orientar e ajudar todas as empresas que projetam instalar-se aqui, e a todos nossos associados.

 

JulianNos últimos anos, o Brasil está passando por uma fase de crise global, em nível político, social e econômico. Isto contraria as expectativas de investimento. Como você vê de sua posição esta atual conjuntura?

 

Pallaro – Não existe uma só palavra para descrever a situação atual do Brasil. Somente quem vive e conhece a fundo esse país e sua realidade, consegue encontrar alguma forma de continuidade no seu negócio.

Após 2 anos de crise e de PIB negativo, se espera uma lenta recuperação. Todas as previsões dependem das reformas estruturais que precisam ser feitas no país. Sem reformas da previdência, tributária, trabalhista, política e finalmente de desburocratização da administração, ficaremos sempre nessa situação de dependência.

 

Julian – Um dos grandes problemas dos investidores externos no Brasil é o excessivo protecionismo e a burocracia que afoga muitos desejos de estabelecer-se no país.  Quais medidas a Câmara consegue tomar para ajudar a evitar estas travas?

 

Pallaro – O protecionismo faz parte da política estratégica industrial desse país. Ainda se sustenta devido ao tamanho do mercado interno e de suas dimensões, porém, não tem competitividade, e daí nasce sua fraqueza na exportação de manufaturados. A burocracia faz parte do “custo Brasil” e incrementa a falta de competitividade internacional.

Pouco a nossa câmara pode fazer quanto a isso. Somos ainda pequenos, mas conseguimos preparar e antecipar as dificuldades para os “new coming”. Na realidade na Itália também existe muita burocracia.

 

Julian – Desde sempre ouvimos que o Brasil é o país do futuro… mas parece que o futuro está cada vez mais distante e nos encontramos em uma “montanha russa” sem fim. Isso não pode ser uma desmotivação para os empresários com desejos de aqui se estabelecerem?

 

Pallaro – País do futuro vai continuar sendo. E pode ser que sempre continue desse jeito. No mesmo período que a China passou (em menos de 2 décadas) de ser vista como um mercado de futuro a um mercado de realidade, o Brasil tinha exatamente as mesmas oportunidades, mas não o fez. Por outro lado os investidores e empresários têm cada vez menos mercados no mundo para investir em oportunidades como as que ainda têm aqui. O empresário sério, no setor certo, acredita ainda e até aproveita o momento dos baixos custos e oportunidades que nesse momento temos.

 

Julian Estamos em uma Agrishow, que deseja ser um escape internacional para a importante agricultura brasileira, mas realmente é assim, internacional, em um mercado quase autárquico?

 

Pallaro – Autárquico é. Não poderia ser diferente com a política industrial em vigor. Mas também temos que entender que no Brasil a tecnologia se importa, não faz parte da exportação. Uma parte desse trabalho é feito pelas multinacionais presentes no mercado, mas tem muito mais tecnologia a ser importada. Se pensamos nas dimensões desse mercado, não somente nos grãos, mas em todo tipo de cultivos, o Brasil é o único mercado que tem todos os segmentos e com dimensões e produção de líder mundial. Soja, milho, trigo, arroz, feijão, café, cana-de-açúcar, laranja, algodão, tabaco, e também amendoim, tomate, frutas, batata, sem contar com a agropecuária, ovino, frango e suíno. O Brasil precisa de mais tecnologia para enfrentar esses desafios de mecanizar e incrementar a produtividade em cada um dos segmentos mencionados.

Para os italianos, alemães ou americanos que têm essa tecnologia, o mercado está aqui. Naturalmente vão ter que enfrentar as dificuldades do mercado autárquico enquanto continue esta política.

Pessoalmente acho que os clientes vão ser, mais uma vez, aqueles que irão decidir. Eles vão ter essas exigências.

 

Julian – Quantas empresas de matriz italiana estão presentes este ano na Feira?

 

Pallaro – Não tenho os números ainda dessa edição, mas deve se manter com os números da edição passada. São umas 20 empresas/marcas que contam com stand próprios. Além disso existem vários representantes não exclusivos de produtos/marcas italianas.

 

Julian Você tem acompanhado a trajetória de um mercado capaz de cair 40% em apenas dois anos… isso não desmotiva as grandes multinacionais, como aconteceu no passado na Argentina?

 

Pallaro – Esses são os problemas do Brasil, mas como eu já comentei em outras oportunidades, essas quedas tão elevadas (ou também quando ocorre crescimento elevado) são os resultados de nossos erros.

Crescimento elevado como em 2013 aconteceu devido ao financiamento e crédito farto e barato. Da mesma forma ocorreu a queda para equilibrar a situação. No setor do agronegócio, podemos dizer que já está se recuperando. Leve recuperação no ano 2016 e previsões de um crescimento de mais de 10% nesse ano. As multinacionais presentes no Brasil sabem disso e já sabem administrar essas situações. No final o mercado está aqui. Os clientes, a área plantada, as produções sempre em aumento não irão desaparecer.

 

Julian Da sua perspectiva, como você vê a atual conjuntura a curto e médio prazo?

 

Pallaro – No setor do agronegócio, vejo bem. Crescimento contínuo, no mínimo até a metade da próxima década, em 2025. Até lá espero que não se cometam outros erros estratégicos.

Diferente história acontece com a economia em geral. O Brasil vai se recuperar lentamente nesses próximos anos, e muito dependerá das decisões políticas. Ainda na melhor das hipóteses, o Brasil não vai poder crescer acima de 3%. A deficiência tão grande em infraestrutura é um gargalo para um eventual rápido crescimento.

 

JulianComo Câmara de Comercio, como se coordena a presença de empresas italianas em um ambiente como este?

 

Pallaro – A nossa Câmara, assim como as outras presentes no Brasil, não tem uma coordenação direta nesse processo. A coordenação principal é feita pelo Instituto de Comércio Exterior (ICE) presente em São Paulo. A Unacoma da Itália também coordenas as empresas italianas participantes da Agrishow.

 

 

 

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